domingo, 6 de setembro de 2009

Ignácio de Loyola Brandão


Ignácio de Loyola Brandão










Nasceu no dia 31 de julho de 1936, em Araraquara- São Paulo, dia de Santo Ignácio de Loyola. Filho de Antônio Maria Brandão e Maria do Rosário Brandão. Seu pai Antônio incentivou-o a ler e montou uma biblioteca com mais de 500 volumes.
Ignácio, em 1948, quando cursava o ginásio, escreveu seu primeiro romance num caderno, com o título de “Dias de Glória”.
A folha ferroviária publicou no dia 16 de agosto 1952 uma crítica do filme “Rodolfo Valentino”, primeiro texto de Ignácio. A partir daí, Ignácio escreveu reportagens, críticas de cinema e entrevistas. Em 1953, Ignácio viajou para a Itália, onde pretendia trabalhar como roteirista em Cinecittá.
Em 1956, mudou-se para São Paulo e trabalhou no jornal Última Hora por nove anos. Seu gosto pelo cinema fez com que participasse como figurante de O Pagador De Promessas. No Brasil, começou a escrever o romance “Os imigrantes” com seu amigo José Celso Martines Correa.
Em 1965, lança seu primeiro livro: “Depois do sol” (contos).
Em 1968, ocorre o lançamento do seu primeiro romance: “Bebel que a cidade comeu”. Esse romance foi para o cinema com o roteiro do próprio Ignácio. Também nesse ano recebe um prêmio e sua mãe falece aos 60 anos.
Em 1970, Ignácio casou-se com Maria Beatriz Braga (psicóloga) e trabalhou em mais duas revistas.
Em 1974 escreveu o romance “A inauguração da morte”.
Em 1975 escreveu o livro “Zero” que no ano seguinte recebe o prêmio de melhor ficção que foi censurado em novembro do mesmo ano. Em 1977 Ignácio lança “Cães Danados” (infanto-juvenil). Em 78 escreve “Cubas de Fidel” e no ano seguinte o livro “Zero” é liberado da censura.
Em 1981 sai o romance “Não verás país nenhum”.
Em 1984 lança “O verde violentou o muro” e assume a vice-presidência da união brasileira de escritores onde permaneceu até 1986.
Como diretor da revista Vogue, Ignácio volta ao jornalismo, em 1990.
Em 1993, começa a escrever uma crônica no caderno "Cidades" de "O Estado de São Paulo" que, a partir de 2000, seria transferida para o "Caderno 2". Seu pai falece, aos 88 anos.
Em 1996 descobre um aneurisma cerebral e faz um a cirurgia.
Em 1998 publica “Sonhando com o demônio”, seu terceiro livro de crônicas.
Além das obras divulgadas há muitas mais para serem exploradas.
Suas principais obras.
Contos:Depois do sol, Brasiliense, 1965Pega ele, Silêncio, Símbolo, 1976Cadeiras proibidas, Símbolo, 1976Cabeças de segunda-feira, Codecri, 1983O homem do furo na mão, Ática, 1987O homem que odiava segunda-feira, Global, 1999
Romances:Bebel que a cidade comeu, Brasiliense, 1968Zero, Brasília/Rio, 1975Dentes ao sol, Brasília/Rio, 1976Não verás país nenhum, Codecri, 1981O beijo não vem da boca, Global, 1985O ganhador, Glogal, 1987O anjo do adeus, Global, 1995
Infanto-juvenis:Cães danados, Belo Horizonte Comunicações, 1977. Reescrito e publicado com o título "O menino que não teve medo do medo", Global, 1995.O homem que espalhou o deserto, Ground, 1989
Viagens:Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida, Livraria Cultura, 1978O verde violentou o muro, Global, 1984
Relatos autobiográficos:Oh-ja-ja-ja (Diário de Berlim, inédito em português). Tradução de Henry Thorau. LCB, 1982Veia bailarina, Global, 1997
Cartilha:Manifesto verde, Círculo do Livro, 1985 e Ground, 1989
Crônicas:A rua de nomes no ar, Círculo do Livro, 1988Strip-tease de Gilda, Fundação Memorial da América Latina, 1995Sonhando com o demônio, Mercado Aberto, 1998
Referências bibliográficas:
http://www.releituras.com/ilbrandao_bio.asp
www.wikipedia.com



(postado por Letícia A. n°15, 6ª D)

Ariano Suassuna

Ariano Suassuna




Ariano Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, atualmente a cidade de João Pessoa, Pernambuco. O seu pai exercia o mandato de Presidente do estado, hoje equivalente a governador. Quanto Ariano Suassuna tinha 3 anos de idade, seu pai deputado federal é assassinado durante a Revolução de 1930. Ele passa grande parte da sua infância no sertão paraibano, primeiro em seu sitio e depois se mudou para Taperóa. Como forma de evitar inimigos, a família de Suassuna mudava-se constantemente. Em 1934 ele começa os seus estudos no Recife e ao terminar o curso Clássico, começa o curso de Direito em 1946 e une-se ao grupo de Teatro do Estudante Pernambuco (TEP), responsáveis pela revalorização da cultura brasileira. De 1946 a 1948 tem seus poemas publicados em revistas e suplementos de jornais. Estes poemas eram ligados ao Romanceiro Popular Nordestino, universo de poemas que inclui desde a poesia improvisada dos cantadores à Literatura de Cordel. Em 1947 escreve sua primeira peça "Uma mulher vestida de sol" e em 1951 ao voltar para Taperóa para curar do pulmão, escreve e encena, com mamulengos, “ Em Boca Fechada não Entra Mosquito” Esta peça é extremamente importante no teatro de Suassuna. Em 1955 escreve um de seus maiores sucessos "Auto da Compadecida". Em 1957 o “Auto da Compadecida” no Rio de Janeiro durante o Primeiro Festival de Amadores Nacionais, Suassuna já era considerado um dos nossos maiores dramaturgos. Esta peça foi premiada com a Medalha de Ouro da Associação Brasileira de Crí­ticos Teatrais e neste ano é publicada em livro. Neste ano ainda casa-se com Zélia Lima e tem 6 filhos com ela. Ao voltar a escrever, publica a"d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta". Já famoso, cria o Teatro Popular do Nordeste, ao lado de Emilio Borba Filho. Publicou depois "O Santo e a Porca", ele já era Membro fundador do Conselho Nacional de Cultura; Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco e começou o movimento criação de uma arte erudita nordestina a partir de suas raízes populares. Com um concerto "Três séculos de música nordestina — do Barroco ao Armorial" — e uma exposição de gravuras, pinturas e esculturas, lança no Recife, em 18 de outubro, o Movimento Armorial. Em 1971, lançou "A Pedra do Reino" e passado um ano ele ganha Prêmio Nacional de Ficção do Instituto Nacional do Livro, No ano de 1990 ele toma posse da cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras. Em São José do Belmonte realiza uma cavalgada sobre a Pedra do Reino no qual os participantes deveriam usar trajes como os do romance. Em 1995 é nomeado o secretário estadual da Cultura, pelo governador Miguel Arraes. No Teatro do Parque, No Recife estréia a séria "Grande Cantoria", aula que junta violeiros e repentistas. Depois a sua peça "A história de amor de Romeu e Julieta" é publicada num encarte da "Folha de São Paulo". Em 1998 participa do seu CD "A poesia viva de Ariano Suassuna". O seu grande sucesso "O Auto da Compadecida" vira uma minissérie na Rede Globo, em 1999. Ele também recebe o título de doutor honoris pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.Ele toma posse agora da cadeira 35 da Academia Paraibana de Letras. Aos 80 anos houve uma grande comemoração pelo Brasil inteiro pela magnitude de seu trabalho.








O Auto da Compadecida é uma reunião de três peças :



O enterro do cachorro,
O cavalo que defecava e
O castigo da soberba.
A peça divide-se em quatro atos que se relacionam e foi publicada em 1955. O título: Auto, significa teatro, gênero dramático, aproximando-se do teatro espanhol medieval do século XVII, com personagens alegóricos. Compadecida é aquela que tem pena, compaixão diante da dor alheia, em uma referência à Nossa Senhora. Era comum apresentar nas peças os milagres de Nossa Senhora. A história é contada em prosa. O cenário é o sertão da Paraíba, na cidade de Taperoá, contando as histórias e casos populares nordestinos. Com muito humor, o autor fala da miséria humana, da mesquinharia das pessoas, do racismo e da luta pelo poder. Revela os costumes regionais, o caráter religioso e católico dos cristãos e a amizade entre João Grilo e Chico. São dezesseis personagens, sendo João Grilo, o personagem principal. A história acontece em um picadeiro de circo. O apresentador é um palhaço, o próprio autor. Ele lembra as peças medievais e seu principal papel é criticar a sociedade. João Grilo é o herói sem caráter, símbolo da malandragem. Pode ser comparado a Macunaíma, personagem de Mário de Andrade e a Leonardo, do livro Memórias de um sargento de milícias. A linguagem é simples. Não é apenas coloquial, mistura o vocabulário nordestino pois é o Nordeste e sua gente que Ariano quer retratar. Hoje o Brasil reverencia esse paraibano que tão bem caracterizou o Nordeste, seu sertão e a luta do seu povo
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Acervo Ariano

Obras de Ariano Suassuna
Auto da compadecida

d’A pedra do reino e o príncipe do vai-e- volta
O santo e a porca
Farsa da boa preguiça
Uma mulher vestida de sol
A Moça Caetana

A morte sertaneja



(postado por Alessandra n° 1 6D)

Maria Bonomi


Maria Bonomi







Maria Anna Olga Luiza Bonomi (Meina, Itália, 8 de julho de 1935) é uma renomada artista plástica ítalo-brasileira.
Gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora, Maria Bonomi veio para o Brasil em 1946, fixando-se em São Paulo. É neta de Giuseppe Martinelli, construtor do primeiro arranha-céu da América Latina, o Edifício Martinelli, datado de 1929.







No início da década de 1950, estudou pintura e desenho com Yolanda Mohalyi e Karl Plattner (1919 - 1989). Em 1954, inicia-se na gravura, com Lívio Abramo.



Realizou sua primeira exposição individual em 1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. São 58 obras entre monografias e xilogravuras.





Em 1958, recebe uma bolsa de estudos da Ingram-Merrill Foundation e estuda no Pratt Institute Graphics Center, em Nova York. Paralelamente, na Columbia University, estuda gravura e teoria da arte. Neste mesmo ano faz sua primeira exposição individual em N. York na Roland de Aenlle Gallery.
De volta ao Brasil, em 1959, freqüenta a oficina de
gravura em metal de Johnny Friedlaender (1912 - 1992), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ.
Em
1960, em São Paulo, funda o Estúdio Gravura, com Lívio Abramo, de quem foi assistente até 1964.
A partir dos
anos 1970, passa a dedicar-se também à escultura. Produz também grandes painéis para espaços públicos.
Em 1974, ela inicia seu primeiro projeto de Arte Pública com o altar da igreja Mãe do Salvador e seguem-se a esse projeto, os painéis do edifício Jorge Rizkallah Jorge e Esporte Clube Sírio.
Maria Bonomi cria para o Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo os painéis Arrozal de Bengüet, nos quais reproduz no concreto os sulcos da matriz em madeira. Pela obra, recebe o Grande Prêmio da Crítica de 1979, concedido pela APCA.



Maksoud Plaza

Além de São Paulo, seguem-se obras em Manaus (1983) e em Santiago do Chile (1984).
No Memorial da América Latina ainda em construção, Bonomi ergue o painel Futura Memória. Nele, inscreve tradições míticas latino-americanas que se estendem por todo o continente.





Em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, a artista desenvolve diversos projetos. Para o Jardim do Arquivo do Estado de São Paulo, realiza a escultura Páginas, instalada em 1997.



Na estação de metrô Jardim São Paulo, dois cubos em concreto celebram a cidade e aqueles que a construíram: Construção de São Paulo data de 1998.




Nesse mesmo ano, realiza ainda dois painéis para o Palácio Bandeirantes: Imigração e Substituição, fundidos em latão e alumínio
Em
1999, defende sua tese de doutorado Arte Pública. Sistema Expressivo/Anterioridade, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. [1]
A artista foi uma das personagens reais retratadas pelos autores
Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral na minissérie Um Só Coração, exibida em 2003 pela Rede Globo, tendo sido interpretada pela atriz Maria Luísa Mendonça.
Em fins de 2004, conclui painel em concreto para a Estação da Luz,










Epopéia Paulista, que narra a história das imigrações à cidade de São Paulo a partir de objetos recolhidos, ao longo de cem anos, pela seção de achados e perdidos da Estação. A empreitada conta com a integração de diversas pessoas, entre artistas e interessados em arte, que participaram do ateliê coletivo instalado no MAC-USP, a fim de gravar as matrizes de madeira que serviram como moldes da obra.


Atualmente, sob reconhecimento de Oscar Niemeyer, arquiteto maior do Brasil, Maria Bonomi desenvolve o painel Etnias: do Primeiro e Sempre Brasil,








obra de arte pública interativa, projetada para o túnel que interliga o Memorial da América Latina à estação Barra Funda. São mais de 50 placas de cerâmica, bronze e alumínio, gravadas em argila, que narram a verdadeira história dos índios brasileiros por meio de uma vasta iconografia de viajantes dos séculos passados e de gravações realizadas pelos próprios remanescentes dos índios Tupi-Guaranis e outras etnias.

(postado por Talita n° 30, 6ª D)

Fontes:
http://www.itaucultural.org.br
Link:
http://www.mariabonomi.com.br

Feres Lourenço Khoury

Feres Lourenço Khoury





Feres Lourenço Khoury, nasceu em 1951, é de São Paulo.
Foi gravador, professor, arquiteto. Forma-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, em 1979.
Defende doutorado em poéticas visuais na Escola de Comunicações e Artes da USP - ECA/USP, em 1997. Leciona na FAU/USP, na Faculdade Santa Marcelina e na Universidade São Judas Tadeu, entre outras.
Em seu período de formação artística, freqüenta os ateliês de Luís Dotto,
Renina Katz (1926), Sérgio Fingermann (1953) e Rubens Matuck (1952). Em 1979, funda com Matuck, Luise Weiss (1953) e Rosely Nakagawa (1954) a Editora João Pereira, com o objetivo de lançar gravuras originais de tiragem limitada. Publica pela editora os álbuns 11 Gravuras, 1979, 5 Litografias, 1981, Círculo das Coisas, 1982, 5 Xilogravuras, 1988, e Álbum Comemorativo, 1989.
Começa a participar de mostras coletivas em 1973, na exposição dos alunos da FAU/USP. Em 1974, expõe na Trienal Latino-Americana de Grabado, realizada em Buenos Aires, e intensifica a exibição de seus trabalhos a partir de fins dos anos 1970. Recebe o 1º prêmio da 8ª Mostra de Gravura da Cidade de Curitiba, em 1988. É contemplado com a Bolsa Vitae de Arte/Gravura em 1996.
Interessante ver as características de sua obra na visão de críticos:
"Feres Khoury escolheu caminhos árduos para seu projeto artístico. Elegeu o desenho e a gravura; e da gravura, a calcografia. É com a ponta-seca que, riscando a placa de cobre, Khoury constrói seu imaginário. A escolha da ponta-seca não é arbitrária: ele precisa da rebarba do sulco que a ponta-seca produz para obter o máximo de densidades tonais aveludadas. Sendo a ponta-seca uma técnica direta que dispensa ácidos e outros elementos intermediários, o gravador a utiliza como ferramenta principal e com ela extrai todas as riquezas gráficas. É o que existe de mais econômico e direto (ao lado da xilogravura) no que diz respeito aos meios técnicos. Por isso mesmo é uma técnica que elimina qualquer diletantismo. Feres Khoury trabalha com escalas de luz e sombras. O preto e o branco. É aí que começa sua aventura gráfica. A superfície branca não é um vazio oco ou um fundo deixado pela mancha negra; é o seu contraponto. Ambos, o preto e o branco, são valores absolutos e essenciais. Os valores intermediários, os cinzas requintados, preparam as passagens do preto para o branco (e vice-versa) sem, entretanto, criar a noção clássica do claro-escuro. As linhas determinam direções e tensões e as superfícies negra e brancas estruturam o espaço em que não comparecem arabescos ou elementos decorativos como agentes de interesse visual. O negro dominante intenso e denso cria um aveludado táctil de grande sensualidade. O jogo preto-branco estabelece uma dualidade rica de possibilidades expressivas. Feres Khoury leva estas possibilidades ao limite extremo. A gravura brasileira com Feres Khoury continua garantindo o alto nível pelo qual é reconhecida no mundo inteiro".
Renina Katz
KATZ, Renina. [Texto da orelha do livro]. In: KHOURY, Feres Lourenço. Feres Lourenço Khoury. Apresentacao Sérgio Miceli. São Paulo: Edusp, 1995.

"Das artes de Feres Khoury, a reflexão elege a gravura. Paradigmática, esta tem a eminência que, na maior parte dos artistas, é ocupada pelo desenho. Não se separando das demais artes, a gravura, indicialmente, emprega o léxico da pintura quando deseja afinar algum conceito; mais, tal realce não se obtém com recurso exclusivo ao aspecto técnico, não estando cortado o diálogo da ponta-seca com as outras artes. O primado da reflexão na gravura encontra-se alhures, na história artística de Feres Khoury, em quem os processos gráficos ora se travam, ora se distendem: no espasmo, afasta-se uma historicidade feita de identidade artística, não se reduzindo a seqüência, por discreta e intensiva, a modalização do Mesmo. Abandonando-se a história das radiações de foco, ganha-se outra, que distingüe a materialidade dos processos que enlaçam a própria reflexão. São muitas as relações em que a gravura aparece diferenciada, destacando-se as que articulam as dimensões do suporte e as distâncias da contemplação, pólos que resumem feixes de outras, todas elas convergentes com a temporalidade. A parede e o álbum distingüem a visão longínqua da propínqua, horacianamente, particularizando-se a seqüência histórica da gravura, tanto da ressaltada em madeira quanto da cavada em metal. Principiando aquela em 1976, esta começa em 1991: as duas técnicas apresentam-se, não em continuidade, mas segundo clivagem, de modo que, além da posição do espectador e da dimensão da obra, também aquilo que se figura sofre, no tempo, ruptura. Nessa historicidade, em que duas continuidades aparecem cindidas, encena-se a biografia de Feres Khoury, que artista nela ora desliza, leve, ora pasma, reticente. Tudo começa em 1976, com álbuns de pequenas dimensões editados por João Pereira, a reunir gravuras de Luise Weiss, Rosely Nakagawa e Rubens Matuck às de Feres Khoury. As gravurinhas tendem a crescer, mantendo-se inicialmente ligadas às coisas que a natureza-morta classifica. A proximidade da visão toca o objeto pequeno a ponto de qualificá-lo de manuseável, tatilidade de xilogravura que se imprime continuamente até 1991, quando se debilita, intermitente, frente ao cobre e à ponta-seca que a substituem como continuidade emergente. Com o metal, aumenta o formato da gravura, que, indo para a parede, sai do álbum e faz a visão recuar; mais, o leque aberto de ferramentas, goiva, formão, buril etc. , fecha-se na ponta-seca, revezando-se a tatilidade da visão próxima da xilogravura e a opticidade da longínqua calcografia. No deslocamento, a coisa é substituída pela forma. Enquanto a caixa de ferramentas xilográficas facilita a consecução de resultados variados e abundantes que pendem da coisa, acolhedora tanto de expressões efusivas quanto de representações analíticas, a ponta-seca, sozinha, é rígida e simples, exigente de gesto disciplinado, riscado de minimalismo: é, pois, como disciplinadora do gesto que a ponta-seca opera exemplarmente. Metonímia da gravura, ela determina a reflexão como disciplina que, estética, não implica ética de ascetismo: figuram-se nos metais de Feres Khoury formas tirantes ora aos Beatos do Apocalipse, ora às mais elementares geometrias. Instaura-se, assim, o signo, não o vicário que analisa a representação, mas o superpleno que se hieratiza. O signo não é instrumento que decompõe a coisa em seu significado, pois integra a simplicidade cheia da forma, iluminada na dimensão do sagrado. Na seqüência exposta, o negro é intangível, aura de cosmo como mundo e beleza, pura luz, que a gravura incita a, reflexiva, fazer contemplar".
Leon Kossovitch
KOSSOVITCH, Leon. Feres Khoury. In: GRAVURA: arte brasileira do século XX. Apresentação Ricardo Ribenboim; texto Leon Kossovitch, Mayra Laudanna, Ricardo Resende. São Paulo : Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000. p. 140.

Aqui algumas de suas obras:









Duplo, 1993






sem título, 1999




sem título, 1994






sem título, 1999









sem título, 1997









sem título, 1995





Percurso, 1998









Kinematógrafos, 1999-2000








In Absentia, 1990








sem título, 1996








sem título, 1991








In Absentia, 1990





In Absentia, 1991







Portas, 1992








sem título, 1994










sem título, 1995






(postado por Iris n°10, 6ªD)

Arthur Luiz Piza








Arthur Luiz Piza








Nasceu em São Paulo, Brasil em 1928Vive e trabalha em Paris desde 1951 Piza, como é conhecido no Brasil, é um dos grandes artistas brasileiros que verdadeiramente conquistou fama, espaço profissional para crescer enquanto artista pensador e realizador de suas próprias criações, e obteve um reconhecimento sólido no Exterior.Morando na França, em Paris, desde a década de cinqüenta, desenvolveu seu trabalho inicialmente como gravador e conquistou inúmeros prêmios de alta significação, inclusive na Bienal de Veneza de 1966. Atualmente realiza paralelamente às suas refinadas pesquisas na gravura, um trabalho de peças únicas onde o relevo, a luz, as sombras projetadas, as cores delicadas ou contrastantes, coladas em superfícies suspensas, cortadas em papel, metais, tecidos ou outros materiais redimensionam o universo do artista com uma poética própria.Uma poética que é uma linguagem criada, onde a tridimensionalidade e a sugestão de fragilidade são importantes, acrescentando novos elementos organizadores do espaço efêmero, porque orientam e surpreendem o olhar pelas modificações sutis da incidência de luz, nas alterações provocadas pelo ambiente e também pela posição cambiante do observador.Agrega também a essa nova experiência plástica, o rigor e o "savoir-faire" da gravura, que executa magistral e pessoalmente em talho direto, sem o auxílio de ácidos, com suas minúcias e sutilezas prazerosas, e recria assim uma espécie de aventura inusitada e original de jogos visuais onde há uma "musicalidade" envolvente, pelo ritmo das formas e das cores. E essa percepção e prazer são então exclusivos de quem observa e desfruta sua arte. Arthur Luiz Piza é um artista-poeta, um sábio que inspira a confiança e a inteligência, na sua conversa divertida e calma, transmitindo sensibilidade de precisão aguda quando diz... "que nunca vê figuras quando observa uma escultura, uma pintura ou uma gravura, que antes vê, com mais facilidade... a abstração ali presente, as formas, as cores, os volumes, a luz, e que assim é possível perceber melhor, de maneira mais plena, o universo que é sugerido pela obra de arte..."
Referências: A gravura brasileira contemporânea (Expressão e Cultura, 1966), de José Roberto Teixeira Leite; A criação plástica em questão (Vozes, 1970), de Walmir Ayala; Arte como medida (Perspectiva, 1982), de Sheila Leirner; História geral da arte no Brasil (Instituto Walther Moreira Salles/Fundação Djalma Guimarães, 1983), coordenação de Walter Zanini; Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand (JB, 1987), de Roberto Pontual; Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: 1816-1994 (Topbooks, 1995), de Frederico Morais; Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner (DBA, 1998), coordenação editorial de Aracy Amaral; Gravura: arte brasileira do século XX (Itaú Cultural/Cosac & Naify, 2000), de Leon Kossovitch, Mayra Laudanna e Ricardo Resende; Arthur Luiz Piza (Cosac & Naify, 2002).Arthur Luiz Piza nasceu em 1928 em São Paulo, onde teve seu primeiro contato com as artes. Nos anos 40, estudou pintura e afresco com Antonio Gomide. Mudou-se em 1951 para Paris, onde passou a trabalhar no estúdio do mestre da gravura Johnny Friedlaender. Piza logo se tornou um especialista em todas as suas técnicas. Abandonou as mais tradicionais e desenvolveu uma técnica exclusiva de gravar nas placas com martelos e cinzéis de diferentes formatos. Entre 1951 e 1963, participou das Bienais de São Paulo; em 1959, da Documenta de Kassel, e em 1966, da Bienal de Veneza, ganhando o prêmio de gravura. Seu trabalho encontra-se nos acervos dos principais museus do mundo, como o Museum of Modern Art (MoMA) e o Guggenheim Museum, em Nova York, a Bibliothèque Nationale de France e o Musée National d’Art Moderne Centre Georges Pompidou, em Paris. No Brasil, seus trabalhos estão, por exemplo, no Museu de Arte Contemporânea e no Museu de Arte Moderna, ambos em São Paulo. Em 2002, a Pinacoteca do Estado organizou uma importante retrospectiva e a editora Cosac Naify lançou um catálogo de seus relevos desde 1958. Em outubro de 2008 realiza uma exposição individual no Gabinete. O Gabinete de Arte Raquel Arnaud representa o artista desde 1973.
Referências: A gravura brasileira contemporânea (Expressão e Cultura, 1966), de José Roberto Teixeira Leite; A criação plástica em questão (Vozes, 1970), de Walmir Ayala; Arte como medida (Perspectiva, 1982), de Sheila Leirner; História geral da arte no Brasil (Instituto Walther Moreira Salles/Fundação Djalma Guimarães, 1983), coordenação de Walter Zanini; Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand (JB, 1987), de Roberto Pontual; Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: 1816-1994 (Topbooks, 1995), de Frederico Morais; Arte construtiva no Brasil: coleção Adolpho Leirner (DBA, 1998), coordenação editorial de Aracy Amaral; Gravura: arte brasileira do século XX (Itaú Cultural/Cosac & Naify, 2000), de Leon Kossovitch, Mayra Laudanna e Ricardo Resende; Arthur Luiz Piza (Cosac & Naify, 2002).Obras em Espaços Públicos:
Biblioteca Nacional, Paris, França.Galeria Nacional de Arte Moderna de Roma, Itália. Instituto de Arte de Chicago, EUA.Museu Albertine (graphische sammlung).Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Brasil.Museu de Arte de Lodz, Polônia.Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris , França.Museu de Arte Moderna de Belgrado.Museu de Arte Moderna de Nova York, EUA.Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro , Brasil.Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil.Museu de Arte Moderna de St. Etienne, França.Museu de Arte Moderna, Centro Georges Pompidou, Paris, França.Museu de Portland,Oregon, EUA.Museu de Saarland, Alemanha.Museu do Homem, Sarrebruck.Museu Guggenheim, Nova York, EUA.Pinacoteca do Estado, São Paulo, Brasil.Victoria and Albert Museum, Londres, Inglaterra.
http://www.raquelarnaud.com/artistas_main.asp?artistaId=6
http://www.sp-arte.com/artistas/index.php?action=mais&abc=ABC&id=404&nm=Arthur%20Luiz%20Piza



Principais Obras:











Avenir Certain, 1994, gravura em metal, 28,5 x 26cm














Avenir protable, 1994, gravura em metal, 28,5 x 26cm












A-48, relevo em metal sobre sisal, 30 x 25cm











A-96, 1983, relevo em metal sobre tapete de sisal, 30 x 20cm











· En se separant, gravura em metal, 54 x 42cm






















(postado por Letícia P. n°16, 6ªD)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Manifesto

Alessandra, Iris, Isabella, Leticia A., Letícia P., Marina, Talita (6a. série D)

sábado, 30 de maio de 2009

Modernismo no Brasil

"A gente não quer só comida! A gente quer comida, diversão e ARTE!" (Comida, Titãs)

Modernismo Brasileiro


O Modernismo Brasileiro é um movimento de amplo espectro cultural, desencadeado tardiamente nos anos 20, influenciado por movimentos da Europa antes da Primeira Guerra Mundial - Expressionismo, Cubismo e Futurismo.
No modernismo brasileiro observa-se predominância de valores expressionistas presentes nas obras de precursores como Lasar Segall e Anita Malfatti e mais tarde a emergência do surrealismo observado na pintura de Ismael Nery e de Tarsila do Amaral. Chama atenção que a disciplina e a ordem da composição cubista constituem estrutura básica das obras de Tarsila, Antonio Gomide e Di Cavalcanti. Nos anos 20, a pintura dos modernistas brasileiros vai misturar ao “revival” das artes egípcia, pré colombiana e vietnamita, elementos do “Art Déco”.
É São Paulo o centro das idéias modernistas, encontro de jovens intelectuais com artistas plásticos, eclodindo a vanguarda modernista. Diferentemente do Rio de Janeiro, reduto da burguesia tradicionalista e conservadora, São Paulo, incentivado pelo progresso e pelo afluxo de imigrantes italianos, será o cenário propício para o desenvolvimento do processo do Modernismo. Este processo teve eventos como a primeira exposição de arte moderna com obras expressionistas de Lasar Segall em 1913, o escândalo provocado pela exposição de Anita Malfatti entre dezembro de 1917 e janeiro de 1918 e a “descoberta” do escultor Victor Brecheret em 1920. Com maior ou menor peso, estes três artistas constituem, no período heróico do Modernismo Brasileiro, os antecedentes da Semana de 22.
A Semana de Arte Moderna de 22 é o ápice deste processo que tinha como objetivo a atualização das artes, e a procura da identidade nacional. Pensada por Di Cavalcanti como um evento que causasse impacto e escândalo, esta Semana proporcionaria as bases teóricas que contribuirão muito para o desenvolvimento artístico e intelectual da Primeira Geração Modernista e o seu encaminhamento, nos anos 30 e 40, na fase da Modernidade Brasileira.
Alessandra nº01, Iris nº10

Quando e onde

Semana de Arte Moderna 1922


Realizada no Teatro Municipal de São Paulo nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna organizada por

Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Manuel Bandeira, Tarsila do Amaral, Villas-Lobos e outros, marca o início do modernismo brasileiro, é o ponto de encontro das várias tendências modernas que vinham, desde a Primeira Guerra Mundial (1914-18) se firmando em São Paulo e no Rio de Janeiro. Contribuiu para consolidar certos grupos e suas idéias, com um espaço cativo em livros, revistas e manifestos. Essas idéias, porém, só seriam completamente aceitas depois de alguns anos, quando chegaram a outros Estados brasileiros.
Em Minas Gerais, foi acolhida por artistas como Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Emílio Moura, Abgar Renault e João Alphonsus.
No Rio Grande do Sul, Mário Quintana, Augusto Meyer, Pedro Vergara e Guilhermino César acabariam aderindo às idéias modernistas.
No Nordeste, influenciou as obras de José Américo de Almeida, Jorge de Lima entre outros.





Semana da Arte Moderna em 1922, O Encontro, Mário de Andrade (sentado), Anita Malfatti (sentada, ao centro) e amigos na exposição de Zina Aita (à esquerda de Anita), em São Paulo, em 1922. As apresentações artísticas da Semana de Arte Moderna aconteceram no Theatro Municipal de São Paulo (Foto déc. XX www.sempla.prefeitura.sp.gov.br/historico/1920.php).






Iris nº10, Letícia P.nº16

Literatura

O movimento modernista no Brasil contou com duas fases: a primeira foi de 1922 a 1930 e a segunda de 1930 a 1945. A primeira fase caracterizou-se pelas tentativas de solidificação do movimento renovador e pela divulgação de obras e idéias modernistas.

Primeira fase Modernista no Brasil (1922-1930)
Caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestos e revistas de vida passageira. Na literatura há a criação de uma forma de linguagem, que rompe com o tradicional, transformando a forma como até então se escrevia.

Este período começa com a Semana de Arte de 1922
. As principais características da literatura modernista são: nacionalismo, temas do cotidiano (urbanos), linguagem com humor, liberdade no uso de palavras (utilização do verso livre, quase abandono das formas fixas como o soneto, a fala coloquial, aus~encia de pontuação,...), e textos diretos.
Entre os fatos mais importantes, destaca-se a publicação da revista Klaxon, lançada para dar continuidade ao processo de divulgação das idéias modernistas, e o lançamento de quatro movimentos culturais: o Pau-Brasil, o Verde-Amarelismo, a Antropofagia e a Anta.
O Movimento Pau-Brasil foi lançado em 1924
por Oswald de Andrade e Tarsilla do Amaral. Apresentava uma posição primitivista, buscando uma poesia ingênua, de redescoberta do mundo e do Brasil, inspirado nos movimentos de vanguarda europeus.


Verde-Amarelismo

Grupo composto pelos paulistas Plínio Salgado, Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia, Cândido Mota Filho e Alfredo Élis. Surgiu em 1926, como resposta ao grupo Pau-Brasil. O grupo Verde-Amarelo, além de criticar o "nacionalismo importado" de Oswald de Andrade, propunha um nacionalismo primitivista e ufanista. Para eles, o ingresso do Brasil na modernidade implicava no rompimento radical com toda herança cultural européia. Seu lema era taxativo: "Originalidade ou Morte!" o projeto cultural do verde-amarelismo tinha também sua contrapartida política: o autoritarismo aparecia como condição imprescindível para a independência cultural e política do país. Era através do jornal Correio Paulistano que o grupo defendia as suas idéias. Em 1927, esses artigos foram reunidos em uma coletânea com o título O Curupira e o Carão. Em maio de 1929, o grupo publicou o manifesto Nhengaçu Verde Amarelo (Manifesto do Verde-Amarelismo ou da escola da Anta), em que defendia a integração étnico-cultural sob o domínio da colonização portuguesa, o nacionalismo sentimental e o predomínio das instituições conservadoras, que entre outras coisa afirmava:
"O grupo "verde-amarelo", cuja regra é a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser e puder; cuja condição é cada um interpretar o seu país e o seu povo através de si mesmo, da própria determinação instintiva; o grupo "verde-amarelo", à tirania das sistematizações ideológicas, responde com a sua alforria e a amplitude sem obstáculo de sua ação brasileira. (...)Aceitamos todas as instituições conservadoras, pois é dentro delas mesmo que faremos a inevitável renovação do Brasil, como o fez, através de quatro séculos, a alma da nossa gente, através de todas as expressões históricas.Nosso nacionalismo é "verdamarelo" e tupi. (...)"

Na década de 1930, o grupo se bifurcou em dois movimentos distintos: o integralismo e o bandeirismo. Rompendo com o grupo de origem, Plínio Salgado fundou em 1932 a Ação Integralista Brasileira. Liderado por Cassiano Ricardo, o bandeirismo reuniu o restante do grupo, que recebeu ainda o apoio de mais alguns intelectuais paulistas. O movimento tinha como proposta o fortalecimento do Estado, posicionando-se contra o comunismo e o fascismo. Era preciso defender as fronteiras geográficas e culturais do país, evitando a penetração de ideologias consideradas "alienígenas".
Ao longo da década de 1940, Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia e Candido Mota Filho iriam tornar-se, em diferentes graus, ideólogos do Estado Novo, escrevendo artigos na imprensa diária em que defendiam as bases doutrinárias do regime. Cassiano Ricardo assumiu a direção do jornal A Manhã, porta-voz do regime, e a chefia do departamento político-cultural da Rádio Nacional. Já Candido Mota Filho assumiu a direção do DEIP (Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda) de São Paulo. A trajetória desse grupo ao longo de três décadas revela os vínculos que existiram entre a ideologia autoritária do Estado Novo e a do modernismo.


Movimento Antropofágico (1918)

Liderado por Oswald de Andrade é uma resposta às questões colocadas pela Semana de Arte Moderna de 1922. Para ele, a renovação da arte nasceria a partir da retomada dos valores indígenas, da liberação do instinto e da valorização da inocência. O objetivo de Oswald de Andrade era a deglutição (daí o caráter metafórico da palavra "antropofágico") da cultura do outro externo. O Manifesto Antropófago, dizemos que ele manifesta:

1) a crítica ao erudito e

2) a tentativa de se estabelecer a identidade nacional, as duas, por meio da metáfora.

A Antropofagia é uma declaração de guerra a todos os povos civilizados e cristãos que impuseram suas culturas ao povo brasileiro. Ela é inovadora, mas tem suas raízes na tradição européia.
Fonte: CPDOC/FGV
A importância maior das vanguardas foi de uma concepção inteiramente libertária da criação artística. O pintor, o escritor ou o músico não precisa seguir outras leis que não as de sua própria interioridade e escolha, abrindo caminho para as outras artes.



PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS


Principais autores desta fase: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Plínio Salgado

MÁRIO DE ANDRADE
Poesia - Paulicéia Desvairada, Losango Cáqui, Clã do Jabuti, Remate dos Males, Lira Paulistana.
Prosa - Amar, verbo intransitivo, Macunaíma, Contos Novos.


OSWALD DE ANDRADE
Os condenados, Memórias Sentimentais de João Miramar, Serafim Ponte Grande e O rei da vela (teatro).


MANUEL BANDEIRA
Carnaval, O ritmo dissoluto, Libertinagem, Estrela da manhã, Estrela da tarde, Estrela da vida inteira.


ALCÂNTARA MACHADO
Brás, Bexiga e Barra Funda e Pathé Baby.


Segunda fase Modernista no Brasil - (1930-1945)
Estende-se de 1930 a 1945, sendo um período rico na produção poética e também na prosa. É a fase mais radical justamente em conseqüência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Fica evidente o interesse por temas nacionais, uma linguagem mais brasileira, com um enfoque mais direto dos fatos marcados pelo Realismo – Naturalismo do século XIX.
O romance enfatiza o regionalismo, principalmente o nordestino, onde problemas como a seca, a migração, os problemas do trabalhador
rural, a miséria, a ignorância foram ressaltados. Além do regionalismo, destacaram-se também outras temáticas: surgiu o romance urbano e psicológico, o romance poético-metafísico e a narrativa surrealista.


“A segunda fase colheu os resultados da precedente, substituindo o caráter destruidor pela intenção construtiva, pela recomposição de valores e configuração da nova ordem estética”.


-CASSIANO RICARDO
A poesia prossegue com a tarefa de purificação de meios e formas iniciada antes, ampliando a temática na direção da inquietação filosófica e religiosa, com Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, ao tempo em que a prosa alargava a sua área de interesse para incluir preocupações novas de ordem política, social e econômica, humana e espiritual. À piada sucedeu a gravidade de espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Essa geração, preocupada com o destino do homem e com as dores do mundo, pelos quais se considerava responsável, deu à época uma atividade excepcional.
A geração de 30 não precisou ser combativa como a de 22. Eles já encontraram uma linguagem poética modernista estruturada. Passaram então a aprimorá-la e extrair dela novas variações, numa maior estabilidade.
O Modernismo já estava incorporado às praticas literárias brasileiras, sendo assim os modernistas de 30 estão mais voltados ao drama do mundo e ao desconcerto do capitalismo.

PRINCIPAIS AUTORES E OBRAS
Destacam-se as seguintes obras :

Graciliano Ramos
Vidas Secas,

José Lins do Rego
Fogo Morto,

Rachel de Queiroz
O Quinze

Jorge Amado
O País do Carnaval.


Os principais poetas desta época são:

Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles.




Isabella nº11 e Talita nº30

Pintura

Pintura


A pintura moderna apresenta uma diversidade artística nunca antes vista. Em conseqüência, trouxe muita polêmica. O real desejo era propor algo voltado para o Brasil, com influências européias sim, mas que procurasse personalizar a arte brasileira.
Em 1913, Lasar Segall fez, em São Paulo e em Campinas, a primeira mostra de arte moderna no Brasil. A repercussão foi nula. Anita estreou no ano seguinte, expondo quadros no estilo do expressionismo de Berlim, onde estudara. Segall também foi um seguidor dessa escola. Em 1915, em O Pirralho, Oswald prega a necessidade de uma pintura brasileira. Em 1917, o ano da Revolução Russa, Anita lançou, sem querer, a questão da arte moderna no Brasil. A mostra da pintora desencadeou o processo. Para Mário da Silva Brito, principal historiador do movimento, Anita foi o "estopim do modernismo". A exposição apresentava 53 trabalhos, muitos deles como: O Farol, O Japonês e O Homem Amarelo, executados nos Estados Unidos, onde Anita também estudara. São Paulo acolheu bem a mostra, comprou quadros, parecia entendê-los. Porém, Monteiro Lobato escreveu o artigo Paranóia ou Mistificação? para o Estado de S. Paulo em 20 de dezembro de 1917. Lobato referia-se à exposição de Anita Malfatti. A exposição e a repercussão provocada pelas severas críticas de Monteiro Lobato, impulsionou a organização dos artistas para criar a Semana de 22.
Para Mário de Andrade, a exposição de 1917 foi a revelação do novo: "Foi ela, foram seus quadros, que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras".




Letícia nº15 e Marina nº24